• 14 AGO 15
    • 0

    Sonhos e Medos

    O medo do escuro, os terrores noturnos e os pesadelos, constituem experiências frequentes no desenvolvimento infantil. É importante que tenhamos isto bem presente, uma vez que muitos pais se assustam perante um pesadelo e questionam-se se será normal uma criança acordar assustada, a ponto de gritar durante a noite.

    De acordo com a opinião de alguns investigadores, o ato de sonhar é uma forma da criança pensar e trabalhar, inconscientemente as suas experiências. Os sonhos infantis são deste modo mais uma maneira das crianças contarem histórias a si mesmas, para que com a ajuda da fantasia, lhes seja possível resolverem os problemas que surgem durante o dia. Mesmo os adultos têm medos, só que enquanto estes conseguem encontrar estratégias eficazes para os ultrapassarem, as crianças ficam à mercê destes.

    Começam, em geral, por volta dos dois anos e meio, com o medo do escuro. Este tipo de temor aumenta por volta dos três anos e meio e mantém-se até aos cinco. É impossível que uma criança consiga ignorar a sombra que vê no fundo do quarto, ainda que esta em muitas das ocasiões, não passe do seu peluche de estimação. Por este motivo pede que se mantenha uma luz de presença acesa constantemente. Assim sente-se protegida do escuro onde o desconhecido impera e onde tudo pode acontecer.

    Aos quatro anos é comum que tenha medo que um animal surja no escuro. São em regra animais selvagens, mas também podem ser aranhas, cobras, etc. Aos seis anos passam a ser sobretudo as meninas, que temem que debaixo da cama esteja alguém escondido. Por este motivo, espreitam para debaixo da cama antes de se irem deitar.

    Aos sete anos, são as sombras que mais atemorizam as crianças. Ladrões, espiões, fantasmas, são encontrados no escuro e profundamente temidos.

    Um dos medos mais frequente em qualquer criança é o medo do abandono. Poder partir e voltar, com a certeza que a mãe continua lá, amando-a do mesmo modo, é algo muito importante para o desenvolvimento da criança. Até possuírem a capacidade de sentirem a presença da mãe, apesar dela não estar ao alcance do seu olhar, as crianças sentem-se profundamente perdidas. É por esse motivo, que fazem birras quando vão para a escola, tem que ficar em casa de alguém ou quando vão dormir. O ato de adormecer pressupõe um abaixamento das defesas, portanto vai favorecer a emergência de uma maior fragilidade, causando um desconforto.

    O medo de adormecer está também muito associado ao medo da morte. O adormecimento implicando a separação da mãe, está ligado à morte simbólica desta, sobretudo em crianças muito pequenas. Mais tarde, as crianças passam a associar a noite à sua própria morte, particularmente se já tiveram alguma perda na família, onde lhes foi dito que a pessoa desaparecida “foi dormir”. Ao dizer isto a uma criança, estamos a estabelecer uma relação entre a morte e o sono, relação essa que não é benéfica. Há que ter bem presente que a morte é um fenómeno que as crianças não entendem e, o que não é entendido, dá lugar a fantasia que podem ser terríveis.

     

    Pôr o medo a fugir …. O que fazer?

    – Procure interpretar e ajudar a criança a interpretar as situações temidas de uma forma menos ameaçadora.

    – A promoção do diálogo com a criança permite deixar uma “janela aberta” para a procura dos pais (ou outras figuras de referência) quando se sentir ameaçada, ou estiver a lidar com sentimentos perante os quais sente dificuldades em lidar.

    – Quando a criança demonstrar uma preocupação exagerada sobre algum receio, dê atenção e explique, mas não demore demasiado tempo a falar sobre o assunto, para evitar que a criança fique ainda mais ansiosa.

    – Brinque com a criança, representando nas brincadeiras o sentimento de medo frente a uma situação real, por exemplo, como uma ida a um hospital ou à escola.

    – É importante demonstrar à criança como agir em situações que desencadeiam medo ou que requerem cuidado, como por exemplo, atravessar uma rua, como estar numa piscina, como (não) falar com estranhos, etc.

    – Fale a verdade sobre os medos bons (ou amigos) para que a criança construa noções de perigo. Exemplo: escadas, piscinas, atravessar a rua, falar com desconhecidos, animais presos que representam riscos. Mas faça isso sem a aterrorizar.

    – NUNCA ameace uma criança com elementos assustadores ou use o medo que ela tem como meio de obter poder.

    – É importante tornar as situações previsíveis para que a criança possa controlar a ansiedade causada por situações novas.

     

    Dra. Lúcia Prata

    Psicóloga Clinica, nº 10805 (Ordem dos Psicólogos)

    Para marcações de consultas ou esclarecimento de questões: 238 602 060 / 964 824 019 / geral.cmpoh@gmail.com

     

     

Deixe Um Comentário

Cancelar Resposta

Photostream